População está indignada com o encerramento da escola primária, que dizem cumprir todas as condições necessárias.
A população de Poiares, Peso da Régua, não esconde a indignação. A escola da terra, onde todos aprenderam as primeiras letras, vai fechar. “Tenho 54 anos e já fiz aqui a quarta classe. A escola é nossa! Tem mais de 21 alunos.” “A lei diz que fecham as que têm menos de 21 alunos, mas esta tem 40.” “Ainda se estivesse a cair, mas está como nova. O ano passado fizeram obras e até tem ar condicionado.”
São vozes de mães, avós e alguns pais que se juntam para protestar contra o enceramento da Escola do 1.º Ciclo de Poiares. E o que não compreendem é porque é que vai fechar se, segundo protestam, reúne todas as condições para receber as crianças, tendo sofrido obras o ano passado, incluindo um refeitório e um ginásio. “Foi a câmara que pagou as obras. Houve melhorias em todas as escolas do concelho”, explica Artur Filho, o anterior presidente da freguesia de Poiares, acabando por divulgar que foram gastos 60 mil euros com as obras e a instalação do ar condicionado.
“Estão inscritos 38 alunos na escola primária. A nossa aldeia tem infantário [cerca de 50 crianças]. E depois vão para o Colégio Salesianos até ao 9.º ano. Temos sempre os nossos meninos à nossa beira. E agora querem levá-los para a Régua? Já viu a estrada? No Inverno, com o gelo, nem com um carro nos atrevemos a ir, quanto mais deixar ir os nossos filhos!”, argumenta Ana Maria Barros, mãe do Bernardo, de oito, que acaba de passar para o 3.º ano.
Poiares é uma das dez freguesias que pertencem ao concelho de Peso da Régua, que vai ficar sem escola primária. A câmara está a finalizar a construção de dois centros escolares na cidade para acolher as crianças desde o jardim-de-infância. “Reúnem todas as condições e estão equipados com pavilhão desportivo e sala para aprender música”, garante fonte da autarquia.
Um dos centros terá o nome de Peso de Régua e vai reunir os alunos das aldeias a poente: Fontelas, Loureiro, Moura Morta, Vinhós e Sedielos. O outro, o de Godim, vai acolher os estudantes de Vilarinho dos Freires, Canelas, Couvelinhas, Galafura e Poiares. Isto independentemente do número de crianças que frequentam esses estabelecimentos. E pelo menos Poiares tem 38 inscritos e Galafura, 42.
A população já vai nos segundos cadeados que coloca nos portões e promete não deixar levar o equipamento. Segundo comentam, as duas professoras, a auxiliar de educação e a cozinheira não sabem onde vão trabalhar. Mas foram uns “zunzuns que se ouviram” e a informação de que teriam de pedir o passe de autocarro colocou-os em estado de alerta, levando à constituição de uma comissão de pais de Poiares e Galafura.
Além disso, Poiares pertence ao concelho de Peso da Régua, de que está efectivamente mais próxima em termos de quilómetros, oito, mas a estrada é estreita, Ãngreme, com curvas e precipÃcios. E, em termos de tempo, as pessoas acabam por ficar mais perto de Vila Real, que fica a 24 quilómetros.
Fonte: DN




